segunda-feira, 21 de julho de 2014

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DIA 4
Bom, com esse livro oficialmente furei meu desafio dos “Sete dias felizes”. Achei que pela extensão conseguiria dar conta dele em um dia, mas errei no gênero. Levei dois dias para encarar essa pequeneza, pois a repetição dos assuntos e da forma não me atraiu, nem me prendeu; mas definitivamente me ensinou.
Este livro é uma coletânea de entrevistas feitas com Vinicius de Moraes, meu poeta e músico favorito. Há algumas inéditas, outras já bem famosas; conversas gravadas em áudio, outras em televisão; entrevistas para revistas e para arquivos de museus.
Há um pouco de tudo aqui, mas também há muito do mesmo. Nem pela falta de criatividade dos entrevistadores, mas pelas conversas selecionadas pelos editores: todas elas são de uma mesma década (1970...), ou seja, que abordam um mesmo momento da vida do poeta, então as perguntas e respostas tendem a ser as mesmas. Entretanto, este curto período de tempo já foi o suficiente para Vininha se separar e recasar. Oh vida boêmia...!
Neste livro ouve-se muito sobre suas parcerias, sobre sua música, sobre o início de sua carreira poética, pessoas influentes na sua vida, seus achismos sobre a arte e pouco sobre o homem Vinícius de Moraes; a conversa é sobretudo profissional – a não ser pela entrevista guiada por uma de suas esposas, e outra por Clarice Lispector, que esbanja lirismo e beleza.
Entretanto há muita verdade aqui, mas verdades mutáveis, pois já ouvi entrevistas em que ele se contradisse, por se referirem a outro tempo de sua vida.
Me senti ignorante certas horas pela quantidade de gente influente que ele citou, mas também me incomodei com a necessidade dele de se dizer próximo e amigo de todos os maiores literatos do Brasil e do mundo... não sei se foi falta de modéstia dele ou de inteligência minha.
Me desencantei também com algumas afirmações de Vinicius sobre a literatura, sobre sua incapacidade de ler mais de duas páginas de um romance, pois achava que nada era bom o suficiente para interessá-lo; me irritei com sua descrença em algumas partes da cultura brasileira, pois acho medíocre um poeta que só lê um gênero e que não defende nada mais do que aquilo que faz. Sempre soube que dele tudo viria da emoção, da paixão, mesmo quando usadas para denigrir algo, por isso o admiro ainda, por falar, seja o que for, pelo coração, o qual nunca pode mentir. E sinceridade a gente sempre deve respeitar.

Meu eterno amor continua, pois seus acertos foram estupidamente maiores que seus erros.
Escrito por Nathália Mondo Data: 7/21/2014 10:38:00 PM Comente!

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