quinta-feira, 10 de julho de 2014

   

                      Regras para se ver "Matrix"

   Primeira regra pra se ver “Matrix”: aceitar o gênero ao qual o filme pertence: ficção científica. Todas as características necessárias a esse tipo de obra estão lá, então, se você não é dos que gostam de heróis, teorias de perseguição, muitas máquinas, efeitos especiais e exageros, esse não é o seu filme. Entretanto, se você não conhece nada do gênero, nem sabe se gosta ou não dele, “Matrix” é um filme legal para se testar. 
   Segunda, assim que for oferecida ao Neo a pílula vermelha, aceite-a com ele e não discuta com as cenas seguintes. O filme é fiel àquilo que ele propõe e vai cumprir todas as expectativas do gênero e todas as promessas feitas nas primeiras cenas através de citações: será mais louco que “Alice no País das Maravilhas” e “O Mágico de Oz” juntos. Então, não sofra. Se sua escolha for tomar a pílula azul, se estivesse no lugar do Neo, desligue a TV e vá ler um livro. 
   O filme traz cenas de lutas fantásticas, clássicas, com cenas inesquecíveis pra quem viu isso quando criança, como aquela em que a Trinity para no ar antes de chutar o policial, ou a que o Neo, depois de fazer várias poses de tigre, garça e outros animais simbólicos das artes marciais, chama o Agente pra luta com a mãozinha de maneira irreverente. Lindo. Mas bem daquele jeito estilo James Bond: ele toma socos em todos os locais, mas nem quebra um dedo; as balas acertam todos bem no meio dos olhos, mas nunca no herói; e esse tipo de “coincidência”. Mas, assim como nos filmes do agente especial, nós aceitamos toda a baboseira em prol da beleza – nem tanto artística, mas a dos mocinhos, ah Keanu Rives! Sem contar que até a frase clássica do herói inglês está em “Matrix”: - Meu nome é Bond, James Bond = Meu nome não é Sr. Anderson, é Neo. Uau. 
   Ok. As referências cinematográficas não param por aí. Naquela cena em que Neo finalmente resolve aceitar sua profecia – estilo Harry Potter – em que ele está no metrô e, em vez de fugir, luta com o Agente, os antagonistas se encaram à distância, e entre eles passam rolando folhas de jornal, trazidas pelo vento. Nada como um faroeste urbano e moderno: em vez das bolinhas de feno e poeira, temos pura sujeira e lixo metropolitano. Oh civilização! 
   E isso é que é o sensacional do filme, há sempre uma referência explícita a heróis em cada cena de ação – e olha que elas são muitas. “Matrix” quase não tem momentos de “descanso”, típicos dos filmes de ação e terror, para o expectador poder descansar dos sustos e emoções; é uma luta atrás da outra e todas cheias de piruetas e armas e golpes de artes marciais e ginástica olímpica e muito estilo nas roupas bregas de gângsters dos anos 90. 
   Depois de ser Alice, Doroty, Bond e Clint, Neo ainda relembra Jesus e o demônio NA MESMA CENA, ao morrer, ressuscitar e, logo em seguida, possuir um Agente. Fantástico! Mas, se você é um romântico e está se sentindo excluído, calma: Neo só ressuscita ao receber um beijo de amor! Tem algo mais fofo que “A Bela Adormecida”? A Disney não podia ficar de fora. Nem o Super-Homem: Neo voa! 
   Tá. Se eu não te convenci pelos efeitos especiais, referências clássicas, cenas de luta, ou beleza das personagens – naturais ou realçadas pelas calças grudadinhas de couro – ainda há espaço pra ideias inteligentes, afinal cadê a teoria da conspiração? Toda a argumentação criada pelo autor, nesse mundo lastimável que ele criou, com suas regras e sacadas, funciona muito bem. A ideia do filme é atual e impõe um questionamento muito interessante para a nossa era tecnológica: até que ponto nossa dependência em relação às máquinas é saudável? Será que nesse mundo evolutivo, as máquinas serão selecionadas pela Mãe Natureza? Será que haverá espaço para Deus num mundo em que a luz da lanterna dos celulares é que guia nosso caminho?
   Fica a dica pra pensar...
Escrito por Nathália Mondo Data: 7/10/2014 10:10:00 AM 3 comentários

3 comentários:

  1. Amei assistir pela primeira vez contigo, Nath!
    Super divertido te ter ao lado soltando as referências e comentários de maneira hilária.
    Adorei sua resenha, sintetizou a graça do filme em sete parágrafos. E eu aceitei tomar a pílula vermelha, sim, só não pude me conter nos comentários indignados rs
    Estou pensando no filme ainda, e creio que pensarei por dias a fio! Excelente :)
    Beijão

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    Respostas
    1. Melzinha, calma que ainda tem o "Matrix II" e "III"... próximo na sua casa e com pipoca (pra comer dessa vez)!
      Adoro vc!

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    2. Pipoca com cobertura de caraméélo aqui em casa ;)
      Também te adoro, querida!

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